A Temperança é o meu destino.
Sempre senti a vida em extremos: ou 8 ou 80, tudo ou nada. Intensidade total, emoções fortes, decisões radicais… e, no meio disso, sentia-me tomada por extremos que me impediam de viver com suavidade e presença. O grande desafio da minha vida tem sido aprender a caminhar no meio, a descobrir o poder da moderação, da presença e do equilíbrio.
Não se trata de renunciar à minha força ou apagar a minha intensidade; trata-se de integrá-la, de unir luz e sombra, razão e emoção, feminino e masculino, todos os opostos que existem em mim. É nesse lugar de integração que encontro autenticidade, sabedoria e poder pessoal.
Ao falar de feminino e masculino, refiro-me a energias que todos temos dentro de nós, não ao género. O feminino representa a intuição, a receptividade, a criatividade, a sensibilidade e a capacidade de nutrir. O masculino traz ação, foco, clareza, disciplina e assertividade. Durante muito tempo, senti que uma destas energias predominava (a masculina), e que a outra estava em desarmonia, causando tensão e desequilíbrio. Aprender a equilibrar essas forças internas foi libertador: permitiu-me agir com coragem sem perder a suavidade, tomar decisões firmes sem desligar da intuição e viver com mais presença, consciência e harmonia.
É sobre reconhecer os extremos, acolher cada parte de nós e transformar essa energia em equilíbrio. Carl Jung lembra-nos que a integração da sombra é o caminho para o autoconhecimento e Buda ensina-nos que a paz nasce da moderação e da presença no momento.
Aprender a caminhar no meio é também aprender a confiar em mim, a criar espaço para respirar, a escolher minhas batalhas e a viver de forma consciente. Cada passo consciente, cada decisão tomada com intenção, cada gesto de cuidado com a minha própria energia tornou-se um ato de transformação.
O equilíbrio não é uma meta universal nem um ponto fixo, é algo profundamente pessoal, que se descobre e ajusta ao longo da vida.
Para uns, pode ser viver com mais calma, para outros, pode ser recuperar a paixão e o movimento. O verdadeiro equilíbrio nasce do autoconhecimento, de reconhecer o que precisamos, o que nos drena e o que nos nutre e de aprender a mover-nos de forma consciente entre o fazer e o ser, entre o dar e o receber.
Ela é o estado em que as forças opostas não apenas coexistem, mas se unem em harmonia. Enquanto o equilíbrio pode ser um ponto de ajuste entre dois lados, a Temperança é a fusão desses lados num novo estado de consciência. É quando deixamos de oscilar entre extremos e começamos a criar uma nova forma de estar, mais integrada, madura e sábia.
O equilíbrio não é um estado passivo, é um movimento constante. Nem excesso, nem escassez: apenas o fluxo natural da vida vivido em harmonia com quem realmente sou. Quando harmonizo o meu feminino e masculino internos, sinto-me completa, alinhada e capaz de manifestar as minhas intenções com clareza e autenticidade.
Vivemos tempos de polarização, de extremismos e de conflitos constantes. Cada passo que damos para integrar luz e sombra dentro de nós, unir ação e presença, intuição e razão, contribui para criar harmonia ao nosso redor. Ao restaurarmos o equilíbrio dentro de nós, tornamo-nos agentes de transformação, capazes de inspirar diálogos mais conscientes, relações mais saudáveis e uma sociedade mais integrada. O equilíbrio pessoal torna-se, assim, um ato de impacto coletivo.
Se sentes o chamado para viver a tua vida com presença, autenticidade e força interior, deixa que a Temperança te guie. Aprende a dançar entre os extremos, a integrar todas as partes de ti e descobrirás a plenitude que sempre esteve à tua espera.
Quais os extremos na tua vida que tens vivido e como isso tem afetado a tua energia, decisões e bem-estar?
Como podes integrar de forma mais harmoniosa o teu lado feminino (intuição, receptividade, criatividade) e o teu lado masculino (ação, foco, disciplina) no dia a dia?
Que passos conscientes podes dar hoje para caminhar no meio, criando equilíbrio entre luz e sombra, emoção e razão e viver com mais plenitude?